Já parou para pensar porque interagimos com os bons designs de hoje em dia da forma como interagimos? Por exemplo, já se perguntou o motivo de as vezes comprarmos algo que nem precisamos pela internet? Ou melhor, porque quando erramos a senha muitas vezes ao tentar entrar em algum sistema, somos bloqueados por ele? Será somente por uma questão de segurança? Bom, aposto que depois dessa pequena reflexão, você tenha pensando em outros exemplos, e agora talvez esteja se perguntado o motivo dessas coisas serem como são. Com poucas palavras, eu diria que as coisas são assim pois fomos treinados (e ainda somos, todos os dias) a nos comportar do jeito que nos comportamos diante desses sistemas.

Para explicar o que eu acabei de dizer, temos antes que entender a psicologia comportamental, que para este artigo não irei aprofundar tanto.

“Essa teoria psicológica defende que a psicologia humana ou animal pode ser objetivamente estudada por meio de observação de suas ações, ou seja, observando o comportamento” [1]

Dada essa breve introdução, podemos começar a entender como nosso cérebro é treinado para interagir com as soluções de designs que temos hoje em dia. Em 1937 o pai da psicologia comportamental, Frederic Skinner, desenvolvia o que é hoje considerado um de seus trabalhos mais importantes, um conceito conhecido como comportamento operante. De maneira muito enxuta, este é um conceito que nos diz que, dado um comportamento emitido por um indivíduo, este recebe um reforço positivo ou negativo, e a aplicação desse reforço ou aversivo é o que vai dizer se o indivíduo vai ou não repetir tal comportamento. Para esclarecer um pouco mais, Skinner definiu os seguintes termos:

  • Reforço positivo: é quando um comportamento é reforçado a partir de estímulos positivos;
  • Reforço negativo: é quando um comportamento é reforçado a partir de estímulos negativos (ou aversivo);
  • Punição: quando um comportamento é enfraquecido dado estímulos negativos;
  • Extinção: quando um comportamento é enfraquecido pois o resultado levou a uma condição neutra.

Talvez a essa altura do campeonato você já esteja ligando os pontos sem eu ter que explicar mais nada, mas antes de fechar esse resumo sobre behaviorismo (outro nome para psicologia comportamental), quero deixar claro que a análise do comportamento é um processo complexo onde estudamos o impacto das ações dos indivíduos nos ambientes que estão, e também no impacto desses ambientes no indivíduo após serem modificados por essas ações. Pronto, agora que eu te contei um pouco sobre a psicologia comportamental, vamos ver como ela é aplicada na prática dentro dos designs de sistemas que temos hoje em dia.

Exemplos

Como primeiro exemplo, temos a página de um roteador que bloqueou o usuário de tentar entrar no sistema por 60 segundos após 3 tentativas falhas, neste caso, temos a aplicação da punição (ou aversivo) para diminuir ou extinguir a frequência do comportamento de tentar entrar no sistema sem as credenciais corretas, o que é muito comum em vários tipos de sistemas computacionais, como sistemas bancários, redes sociais, painéis administrativos de websites, e por aí vai.

Figura 1 – Tela de login de um roteador Huawei.

Outro exemplo fácil de identificar é o sistema de recompensas que encontramos em sites de vendas, na figura abaixo vemos que o site oferece uma recompensa para o usuário que realizar uma compra. Para Skinner, isto seria a aplicação de um reforço positivo para aumentar a frequência do comportamento de comprar.

Figura 3 – Site Mercado Livre.

Por último, outro exemplo clássico é uso da gameficação, nela o indivíduo recebe uma variedade de reforços positivos ou também reforços negativos, nas figuras abaixo, vemos um aplicativo que te auxilia nos exercícios físicos, que quando realizados, te dão diversas conquistas. Na figura 5, é possível visualizar o progresso do usuário, que conquistou oitenta e dois por cento das conquistas disponíveis na aplicação.

E aí, ficou um pouco mais claro para você como a UI/UX e a psicologia comportamental se relacionam? Legal, não é mesmo? Mas antes de fechar este artigo, vale reforçar que todo o conteúdo aqui foi passado de maneira resumida, pois no comportamentalismo, os profissionais levam em consideração diversos fatores para concluir quais reforçadores levam a determinados comportamentos, fatores estes que estão ligados a história de vida do indivíduo, sua genética, sua cultura, entre outros aspectos. Enfim, por hoje é isso, espero que tenham gostado 😉

Texto por Gabriel Raffa, membro de Marketing


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